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quarta-feira, 16 de maio de 2007

Farinhas do mesmo saco

O senador Gilvan Borges; o ex-governador do Amapá João Capiberibe; o deputado federal Sebastião Bala Rocha, o governador do Amapá Waldez Góes; o deputado federal Jurandil Juarez, o prefeito João Henrique Pimentel, o ex-secretario da Fazenda de Capiberibe, Cláudio Pinho; o ex-governador Annibal Barcelos, o ex-secretario da saúde de Waldez, Abelardo Vaz, o ex-secretario da Saúde de Capiberibe, Jardel Nunes; o afilhado do deputado Jurandil, Braz Josafá; a ex-governadora Dalva Figueiredo; o primo do governador Waldez, Frank Góes; o afilhado do senador Gilvan, José Gregório Ribeiro de Farias; ex-secretario de Desenvolvimento da Infra-estrutura de Waldez, Jorge Grunho; o ex-secretario da Saúde de Waldez, Uilton Tavares são todos corruptos e responsáveis por desvios de milhões de reais dos cofres públicos.

Aliás, não existe político honesto. Todos são ladrões indistintamente. São farinha do mesmo saco.


Esta é a idéia subliminar que está sendo veiculada à exaustão pela maioria dos veículos de comunicação do Amapá, após o novo depoimento do empresário Dilton Ferreira de Figueiredo, envolvido até a medula nos esquemas de corrupção da secretaria da Saúde do Amapá.

Se a população assimilar como verdadeiras essas idéias disseminadas por parte da imprensa, o critério da probidade será banido das campanhas eleitorais. Todos votarão em qualquer candidato, menos num político honesto, uma vez que políticos honestos não existem. Todos são ladrões. Todos são ratos da mesma ninhada.





E quem teria chance numa eleição, se todos os políticos são iguais, ou seja, não valem nada?

Teria mais chances o político que tivesse as melhores soluções para resolver os problemas do estado? Talvez... Eu disse talvez.

Teria mais chances o político que tivesse mais dinheiro? Pode ser...

Teria mais chances o político que tivesse o maior poder de aglutinar os veículos de comunicação em torno de si? Com certeza!

Resumindo: todo político é ladrão, diz a midia orquestrada. É tudo água do mesmo pote, mas quem tiver a mídia ao seu lado tem muito mais chance de ser eleito. .



E se o político só possuir a honestidade e a capacidade de realização como patrimônio e não tiver acesso à mídia? É um fortíssimo candidato... a alma penada!

Lembre-se que os veículos que têm contrato com o governo do Amapá estão pregando a idéia de que não existe político honesto. Todo o político é bandido. É tudo porco do mesmo chiqueiro, lembra? É sob este prisma que esta análise é feita.

Político sem mídia é político morto. Não se elege. Existem exceções para cargos proporcionais, mas para majoritários a ausência de mídia e de um plano de comunicação eficiente é fatal.




Um golpe de mestres

É com este raciocínio que acaba e ser deflagrada no Amapá a Operação Farinha do Mesmo Saco.

Não é uma daquelas operações caça-corrupto da Polícia Federal, que faz muita gente vibrar como se o Brasil acabasse de ganhar uma Copa do Mundo ou se tivesse instaurado o fim da impunidade no Brasil. Esta é uma operação engendrada por corruptos presos, algemados, indiciados ou envolvidos, em pelo menos três operações da PF: Pororoca, Sanguessuga e Antídoto.

A estratégia dos marqueteiros dos bandidos é obvia: transformar todo mundo em bandido. Nivelar tudo por baixo. Todos são jacarés do mesmo mar de lama. Assim não sobra ninguém pra mocinho, nem pra salvador da pátria, muito menos pra Messias. Todo mundo é bandido e pronto!





E como isto está sendo feito?
É simples: o empresário Dilton Ferreira de Figueiredo prestou dois depoimentos sobre os esquemas de corrupção no setor de saúde do governo do Amapá. No primeiro disse que tudo começou no governo de Waldez Góes. No segundo depoimento, confirmou o que disse no primeiro e detalhou a roubalheira. Incriminou três deputados federais, três ex-secretários de saúde do atual governo, mais de uma dezena de funcionários públicos, vários empresários e o próprio governador Waldez Góes.

Agora, queixando-se de sérios problemas financeiros, Dilton Figueiredo vem, por livre e espontânea vontade a Macapá e presta um novo depoimento, desta vez ao Procurador da República, Rodrigo Luiz Bernardo Santos.

A diferença deste depoimento para os dois primeiros é que. neste, o empresário diz que a corrupção na saúde vem desde o governo Annibal Barcellos e passa com a mesma contundência pelo de João Capiberibe.

É um depoimento bombástico e conveniente, mas apresenta várias contradições. Na época em que afirma que pagava propina a membros do governo Barcellos, Dilton Figueiredo ainda nem morava em Macapá. Falha de mémoria? Enredo mal ensaiado?

Por que ele não fez todas essas afirmações nos dois primeiros depoimentos? Estranho, né?

Quem custeou a viagem do empresário argolado em dívidas ao Amapá para colocar todo mundo na mesma embalagem?

A mídia oficial não fala em outro assunto. Este terceiro depoimento tem uma cobertura, pelo menos vinte vezes maior que todas as três operações da Polícia Federal juntas, mas só no Amapá, uma vez que a mídia nacional, digamos, mais profissional e desconfiada, ignorou solenemente a novidade.
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De saco em saco

Este enredo começou a tomar forma depois de um discurso do deputado Evandro Milhomen (PCdoB AP) na Câmara Federal no mês passado. Na oportunidade Milhomen defendeu ardorosamente as farinhas de Waldez envolvidas nos golpes contra a saúde e disse que sempre houve corrupção no setor. É exatamente a mesma linha de raciocínio do depoimento do empresário Dilton Figueiredo: todos roubam, todos são ladrões.
Faz parte da estratégia de marketing.

O deputado Milhomen, uma farinha mutante, já foi assíduo freqüentado do saco (de farinha) de Capiberibe e hoje freqüenta o pirão de Waldez Góes.






Massacre
Estamos diante de uma estratégia de marketing poderosa. Conseguiu tirar o governo do foco das acusações de corrupção, colocou o maior líder oposicionista na linha de tiro e a oposição na defensiva.

No Amapá o governo conta com pelo menos três jornais diários e a maioria esmagadora das emissoras de TV e de rádio. Dentre as emissoras de televisão, a única que consegue manter uma certa isenção é a TV Amapá, que é afiliada da Rede Globo. Embora alguns profissionais da emissora prestem serviços informais aos envolvidos e o governo seja o maior anunciante. Aliás, o governo é o maior cliente de praticamente todos os veículos de comunicação disponíveis no estado.



A oposição conta com meia dúzia de sites de relativa audiência, um ou outro programa de rádio ou reportagem em telejornal e quase nenhuma verba de propaganda.
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A situação ficou ainda mais dramática para a oposição com a mudança na legislação retirando do ar os programas locais dos partidos, veiculados duas vezes por ano no rádio e na TV. O desequilíbrio é escandaloso.

Já a mídia oficial não tem pena de gastar milhões de reais em propaganda maciça, do tipo lavagem cerebral, em todas as mídias disponíveis, até que pesquisas qualitativas mostrem que o assunto incômodo não mais representa perigo. Tudo no mais absoluto profissionalismo.
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Com isso, reforça-se na população o sentimento de que não existem virtudes nos políticos. Todos são ladrões, bandidos e café do mesmo bule.

O rouba, mas faz deixa de ser um bordão do passado e volta fortalecido como ponto positivo do político ideal.

E se São José, não o do Maranhão, mas o padroeiro de Macapá, desse uma mãozinha e acontecesse um milagre? Do tipo, por exemplo... Se alguém conseguisse provar que o empresário Dilton Figueiredo estaria mentindo em seu novo depoimento? Se tudo não passasse de uma grande armação? Ótimo. Isto enfraqueceria a credibilidade do empresário delator e inocentaria os que realmente estão envolvidos. A supermídia transformaria o atual governador e outros envolvidos em super vítimas e conseqüentemente em super homens. Mas, com certeza tentaria manter o grupo dos ex-governadores Annibal Barcellos e João Capiberibe devidamente ensacados como as farinhas mais corruptas desta grande feira livre chamada Amapá. Aliás, a satanização de Capiberibe é um prato freqüentemente requentado que nunca sai do cardápio.


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Há muito tempo a imprensa deixou de ser o quarto poder no Amapá. Aliás, nunca foi. Invariavelmente está alugada aos outros três poderes. As exceções, de tão poucas, não conseguem fixar a realidade dos fatos na cabeça do atônito cidadão.

Os políticos que têm apenas a honestidade, a competência e a vontade de mudar este caos e não podem contar com a força da mídia de aluguel estão condenados a ver o povão hipnotizado festejando a vitória dos corruptos. E só dos corruptos, pois como se vê o estado e a sua população sempre saem perdendo.

Se depender desta quadrilha, não existe político honesto. Todo o político é bandido. É tudo farinha do mesmo saco.

Já os bandidos com a mídia na mão... .

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2 comentários:

Juvencio de Arruda disse...

Porra, Jr, pai d'égua esse post!
Só fõlego de marketeiro...rs
Abs

Walter Jr disse...

É que eu comecei a andar na praça e frequentar uma academia...rsrsr