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domingo, 11 de fevereiro de 2007

Samba atravessado

Do médico pneumologista Leonai Garcia
MODELO
O samba carioca fincou raízes profundas no Estado (Amapá). Após a apresentação da Beija-Flor de Nilópolis na Marquês de Sapucaí, no próximo ano, apresentando a história do Amapá, praticamente fica decretado o fim de qualquer tentativa de introduzir aqui o modelo baiano.



Nunca houve uma tentativa de se introduzir um modelo baiano de carnaval no Amapá.
Há quem goste do desfile de escola de samba e há quem goste de pular atrás de um trio elétrico ou no conforto dos salões dos clubes e boates.
Mas há quem goste de impor um só modelo de carnaval para os nossos foliões. Este sujeito ou é doente da cabeça ou ruim do pé ou do pulmão.
Já houve um tempo que o frevo ficou na moda no carnaval amapaense.
Agora é a vez dos blocos puxados por trios nas festas de fim-de-ano e no carnaval fora de época. Embora sejam combatidos pelos ditadores da folia são sucesso garantido de público. Os jovens preferem o trio elétrico.
O maior bloco de sujo do Amapá é A Banda. E já abriu alas para o trio elétrico. Modernizou-se, ficou melhor e cresce a cada ano. É um carnaval com trio sem cordas e segurança. Vai quem quer, azar de quem não for, besta de quem ficar de fora.



O desfile das escolas de samba do Amapá sempre enfrentou dificuldades e é dependente de verbas públicas. Sua história recente é triste: há dois anos não houve desfile. No ano passado o samba no pé foi substituído pela patinação involuntária. Uma esculhambação!
Este ano deve melhorar porque o Sebrae assumiu a organização.
O Pará já foi por três vezes, tema de escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, incluído aí a própria Beija Flor, que enalteceu o arquipélago do Marajó.


Qual o resultado? Não alterou em nada o carnaval paraense. O melhor do carnaval paraoara está em Cametá e na Vigia, cidades nunca citadas num desfile da Sapucaí.
As escolas de samba paraense continuam com os mesmos problemas dos últimos anos: são deficitárias, dependem do dinheiro público e não empolgam quase ninguém, uma tristeza.
O Pará foi divulgado? Foi. Mas outros estados também foram. Porque para as escolas do Rio e de São Paulo este é um novo filão. Têm patrocínio garantido dos governos estaduais e prefeituras robustas financeiramente, como a de Macapá. Pelo menos na visão do carnavalesco Joãozinho Henrique.
O Pará só usufruiu a “divulgação” porque fez uma campanha de marketing paralela e dispõe de uma excelente estrutura de turismo. Nestes quesitos o Amapá leva nota zero, fácil, fácil. Não pelas belezas naturais que são abundantes, mas pela total ausência na administração destes recursos.
Quem sairá fortalecido é o carnaval do Rio de Janeiro. A Beija Flor vai ganhar 10 milhões de reais pela “propaganda” e nosso carnaval, cada vez mais pobre ficará aplaudindo do lado de cá da TV, o carnaval alheio.Não é desse jeito que o carnaval do Amapá vai ganhar fôlego e voltar a respirar sem aparelhos.

Um comentário:

Yúdice Randol disse...

Caro Walter, só mesmo se a estrutura de turismo aí do Amapá for "zero", como dizes, para que a do Pará seja considerada "excelente". As coisas por aqui são péssimas. Só a propaganda do governo que, graças a Deus, acabou dizia o contrário. O PSDB e seu estilo Alice-no-país-das-maravilhas. Aqui como aí, temos muito a oferecer aos turistas, mas nenhuma política séria capaz de nos dar divulgação eficiente e infra-estrutura. E assim ficamos para trás.